Meu amor

Queria tanto conseguir traduzir em palavras tudo que se passa na minha cabeça, ia dar alguma coisa boa, no mínimo, interessante. Mas hoje tudo que consigo pensar é em amor, e como traduzir amor em palavras?

Amor é o remédio pra tudo! Queria poder abraçar o mundo num abraço só… queria que pelo menos retribuíssem meus sorrisos, ou parassem com essa nóia de que a vida é uma eterna competição.

Outro dia li um texto que não sai da minha cabeça… A moça dizia que o amor tem que ser totalmente recíproco, só ia dar o amor que recebesse. Será que eu sou idiota ou o que? Meu amor não é recíproco, não.

Meu amor quer transbordar e inundar o mundo. Meu amor quer invadir as casas, quer chegar de voadora nos sentimentos ruins. Ele não espera ser amado, ele se joga. Meu amor quer amar até doer. Esse safado sabe que é infinito. Você acha que ele fica satisfeito quando eu dou um sorriso pra alguém na rua? aaah, meu amor é tão forte que ele me pede pra abraçar todo mundo. Tão inocente, amor.

É ele que me faz acreditar em todo mundo que conheço, é ele que me faz pensar que em cada coração tem um pouquinho dele. É ele que me faz chorar feito criança quando vejo algo triste, ou muito lindo.

Ele é inconsequente, me faz acreditar em coisas impossíveis, ter esperanças absurdas e assim, fico como idiota: “você não vive na realidade”, me disseram hoje mesmo. A real é que não quero viver na realidade… Ter que medir sentimentos bons, ter que medir carinhos, para não afastar pessoas (vagas) que tem medo de qualquer demonstração de amor? Não mesmo!

Mas o pior é que não demonstro tal amor, as vezes por medo, ou sei lá. E longe de ser santa… mas ele queria correr pro papel, e correu.

E no final de tudo você acaba percebendo que amor não é pra fazer sentido, é pra simplesmente ser sentido, e que nem todo mundo tá preparado pra receber ou entender, nem mesma eu. É, ele sabe mesmo confundir minha cabeça e esquentar meu coração, pena mesmo é ter que o controlar.

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Carta

Eu prometi pra mim mesma e pra muita gente que não pararia de escrever e postar as coisas aqui. O problema é que essa vida corrida não tem ajudado muito meu plano! Então, aproveitando o encanto do dia das mães que, vamos ser sinceros, geralmente dura uma ou duas semanas, decidi postar um texto que nem passava pela minha cabeça vir parar aqui.

É a primeira das cartas que escrevi pros meus filhos. É bem pessoal, então claro que tirei algumas partes, mas ainda não sei se vou me arrepender de postar. Enfim, esperem que gostem.

“Já os amo. Vocês ainda nem pensam em existir, mas essa carta é pra vocês. Pior que isso é bem estranho. Talvez fosse normal se eu fosse, sei lá, casada, nos meus 31, louca pra ter minha família completa, ou quem sabe grávida. Mas fala sério, eu tenho 18, nem no meu país eu estou, e fico pensando em vocês?  A minha mãe, mais conhecida por mim como mãezi, sempre fala de como ela era quando tinha minha idade, mas nunca mata a minha curiosidade, minha vontade de saber como ela realmente pensava, o que ela sentia, quais eram as preocupações dela. Tá aí: que tal escrever uma carta pros meus filhos? (caraca mãe, você não tinha mesmo nada pra fazer né?)

Sabe, eu tenho muitos sonhos e ainda quero fazer muita coisa antes de vocês nascerem, mas não dá pra ignorar o meu instinto materno, é muito forte. Isso as vezes é um saco, porque eu sou muito nova. Penso em coisas como: se eu vier morar em Montreal, meu filhos não terão meus pais e o resto da família por perto e família é, se não a mais, uma das coisas mais importantes na vida. Mas depois percebo que poxa, eu sou tão novinha, não era para estar preocupada em “achar o amor da minha vida” (ou pelo menos pensar nisso), como a maioria das pessoas nessa idade, ao invés de pensar só nos meus futuros filhos?

Mas crianças, eu até consigo imaginar suas mãozinhas pequenas, com aqueles olhinhos dizendo que só a mamãe sabe como te pegar no colo de um jeitinho único. Ou seus dramas adolescentes. Ou buscar vocês ás 4:30 da manhã nas festinhas (sim, já decidi o horário, espero que ainda seja esse, porque 2:00 não é justo, né?). Consigo imaginar até um sorvetinho antes do almoço -dica: usem essa carta pra ganhar sorvete.

Fico me perguntando se serei uma boa mãe, se continuarei “paciente” e de bem com a vida, como sou hoje. Tomara que vocês vejam em mim uma mãe paciente, carinhosa e sábia.

Tenho uma responsabilidade muito grande de ser uma ótima mãe, porque não sei se vocês sabem, mas seus avós foram super pais, e eu ainda com 18 anos acho que fui a filha que mais deu trabalho. Se meus pais me criaram tão perfeitamente, e eu fui capaz de dar trabalho (heheh), imagina os filhos de uma doida como eu?

Então crianças, tô curiosa pra saber se vocês são parecidos comigo. Agora, eu sou uma mistura de jeitos, vontades, problemas e qualidades. Confusa, como sempre. São pensamentos demais, informações demais, sentimentos demais. Só que ao mesmo tempo que sinto esse mar de confusões na minha mente, tô calma. Mas não ter o controle sobre todos os meus sentimentos é uma coisa que me assusta. Sou muito frenética e sociável, mas ao mesmo tempo tranquila: é bem raro me ver brava ou estressada. Sou bem sincera, sincera até demais, as vezes me atrapalho com isso, falo tudo que sinto.

Eu sou bem carinhosa e preocupada com as pessoas que eu gosto, mas ao mesmo tempo eu desapego rápido, quando necessário. Esqueço muito fácil de tudo, o que eu até gosto. Tento ver coisas boas em cada situação. Mas também teimosa, as vezes bem mimada.

Eu só queria deixar um recado pra vocês: A rapadura é doce, mas não é mole não. Escutem a mãe de vocês que ela sabe mais que eu!”

Apaixonada por ela!

Ela é apaixonante. Sem brincadeira, de primeira, fria como nunca antes tinha visto. Mas ela consegue ser quente, e muito. Tem tantos charmes que não consigo sequer descreve-los, tantos detalhes que me roubam as palavras, tantas línguas que fico confusa, mas cada vez mais apaixonada. Tudo bem que eu me apaixono fácil, minhas amigas que o digam, mas com ela foi diferente. Ela tem defeitos, claro que tem, mas ela é tão encantadora, que os defeitos podem ser ignorados, e do nada você se vê fazendo sacrifícios por ela.

O nome da minha paixão? Montreal.

Vocês não têm noção de como esse lugar é lindo! Eu falo a mesma coisa sobre o Brasil pros meus amigos, mas são dois lugares totalmente diferentes.

Ela é muito linda, não consigo parar de pensar nisso quando ando na rua. Os prédios, os detalhes, as igrejas, os restaurantes, os bares, os museus, tudo. Deve ser um saco andar comigo por aqui, porque eu não paro de falar o quanto isso é legal, ou aquilo é lindo. Agora mesmo, aqui no Café Dépôt, esperando dar a hora de encontrar meus amigos, aproveitei o tempo livre pra revezar entre ler, encarar as pessoas tentando adivinhar a história de vida de cada um e escrever. Aí imagina, começou a nevar… Os carros, árvores e ruas ficando branquinhos, e eu aqui olhando com essa cara de boba, bebendo meu cafézinho sem nada pra fazer. Já que não tenho ninguém aqui para atormentar (provavelmente falaria sem parar o quanto essa situação é agradável), sobrou pra vocês!

Enfim, Montreal fica em Quebec, que é uma província. Quebec tem uma história muito interessante, tive que aprender tudinho para não cometer nenhuma “gafe” com a galera daqui, que têm um orgulho muito grande… Eu pretendo escrever sobre isso depois, porque é bem complicado de resumir. A língua oficial daqui é o francês, mas grande parte da população também fala inglês. Tem gente do mundo todo! Eu acho muito fofo que, em todo estabelecimento, os atendentes te saúdam com “Bonjour Hi”, ai você escolhe em que língua quer falar. E eu devo parecer uma idiota prestando atenção quando alguém daqui tá conversando em inglês e francês ao mesmo tempo! É sério, ao mesmo tempo, eles vão trocando de língua a cada frase.

Alguém te pergunta algo em francês, você responde em inglês. Ai chega um brasileiro com sotaque do sul, alguém xinga em italiano. Do nada aparece um mexicano conversando em francês com alemão, e do lado um russo conversa em espanhol com uma francesa. Lá trás tem alguns coreanos conversando, mas você escuta tudo em árabe. Antes que perceba, tá todo mundo falando ao mesmo tempo e você ali no meio daquela confusão, acaba falando um pouquinho de cada. É uma loucura, e eu amo!

Eu cheguei aqui no final de janeiro, ou seja, no inverno. Quem me conhece sabe, eu AMO sol, calor e praia, e não imaginava um frio tão intenso… Cheguei a pegar -36 aqui. É um frio que dói na alma, e depois de um tempo, chega a ser estressante e bem cansativo. Mas você tem duas opções: ou você começa e reclamar sobre o frio, fica em casa comendo e quase entrando em depressão, ou você supera isso e aproveita as atividades que só tem no inverno! Pra falar a verdade, eu não me estressei nadinha. Como isso é novidade pra mim, eu me jogo. Principalmente porque aqui tem muitos eventos. Na verdade, quando você muda para outro país, tudo é novidade, e o choque cultural é enorme.

Bom, tenho ainda MUITO pra falar sobre essa cidade, então se preparem pra conhecer cada vez mais esse cantinho que já é um dos meus lugares prediletos.

Só tenho um medo: tá no final do inverno, e eu já estou apaixonada, imagina isso aqui no verão? Ah, ela quer me matar de amor.

(Se alguém se interessar em vir pra Montreal, super indico a empresa que contratei: http://www.bonjourhi.com.br/?fb_ref=Default eles são ótimos e muito atenciosos.)

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